RESUMÃO DE HISTÓIRA 2º ANO  escrito em quarta 24 março 2010 21:42

UNIDADE I

 

3.0 – REVOLUÇÃO INGLESA (SÉC. XVII)

 

® Com a morte de Elizabeth, em 1603, o trono inglês foi assumido por seu primo, o rei da Escócia, Jaime VI. Ao assumir o trono inglês com o título de Jaime I, iniciou a Dinastia Stuart.

* Fortalecimento da Monarquia em detrimento do Parlamento Teoria do Direito Divino.

* Perseguição aos opositores do anglicanismo (católicos, caluinistas, presbiterianos, puritanos) – conspiração da pólvora atentado ao rei.

* Colonização de Ulster – Irlanda, distribuindo as terras aos súditos ingleses – anglicanos.

* Convocação do Parlamento ampliar o exército e aumento de impostos Câmara dos Comuns veta novas cobranças de impostos.

1625 – Com a morte de Jaime I sobe ao trono Carlos I.

* Conflito entre Carlos I x Parlamento.

1628 – O rei convoca o Parlamento devido a conflitos externos.

* Parlamento impõe ao rei a petição do direito – passava o controle financeiro para os membros do Parlamento, controle da convocação do exército, regularidade na convocação do Parlamento, negação de renda fixa ao rei.

* Dissolução do Parlamento – 1629.

® Rei retoma o poder de forma absoluta.

® Imposição do imposto Ship Money – Antes só cobrado em cidades portuárias. Agora sobre todo o reino.

® Imposição do anglicanismo ® fortalecer o Absolutismo na Inglaterra.

® 1639 – Invasão do exército escocês presbiteriano à Inglaterra.

04/1640 – Curto Parlamento – 3 semanas.

* Rei recusa-se a aceitar a imposição do Parlamento.

11/1640 – Nova convocação – Longo Parlamento (1640 a 1653).

* Atritos permanecem, Parlamento não apóia a pretensão real, antes o rei precisa fazer concessões:

« Dissolução Câmera Estrelada – Conselho – Tribunal Privativo do Rei.

« Suspensão do Ship Money.

« Fim da organização eclesiástica.

« Execução dos principais assessores do rei.

* Atendidas exigências, o rei aumentou impostos, contratou mercenários para investir contra o exército da Escócia.

1641 – Revolta na Irlanda, Carlos I pede investimento no exército. Para fazê-lo, o Parlamento quer aprovar a escolha dos conselheiros real – Câmera dos Comuns.

* O rei invade o Parlamento. Tenta prender os líderes.

* Início da Guerra Civil Inglesa (1642):

« Exército dos Cavaleiros (anglicanos).

« Exército do Parlamento – Cabeças Redondas.

* 1645 – Derrota real na Batalha Nasby.

« Fulga do rei para a Escócia – Parlamento vende o rei aos ingleses.

« 1649 – Decapitação do rei.

                 República Inglesa – Olivier Cromwell.

* Criação do Conselho de Estado – 41 membros.

* Promulgação Atos de Navegação.

* Derrotou a Holanda e Espanha.

* Sufocou a Revolta dos Niveladores e Caçadores que exigiam o sufrágio universal e reforma agrária.

® 1653 – Dissolve o Parlamento. Proclama-se lorde protetor – Ditadura apóia exército.

® 1658 – Morre Olivier – Ascensão de Richard Cromwell. Renuncia ao cargo em favor dos militares.

* Disputas entre militares.

® 1660 – Convocação do Parlamento, restauração monárquica.

« Carlos II – (1660-1688) impõe o absolutismo, restaura a Câmara dos Lordes.

« Jaime II (1685-1688) Monarquia absolutista. Jaime, irmão de Carlos II.

* Conflito com o Parlamento – Deposição do monarca – fulga do rei para França.

® Trono entregue ao genro do rei.

* Bill of Rights – sujeição do rei Guilherme III ao Parlamento.

* A Revolução Gloriosa é instituída a monarquia constitucional.

* A Revolução Inglesa do século XVII representa a 1.ª Revolução burguesa na Europa, dividindo-se em 2 momentos:

1642 – Revolução Puritana.

1688 – Revolução Gloriosa, criando as condições para a consolidação do capitalismo e a Revolução Industrial, antecipando-se em 150 anos a Revolução Francesa.

 

CAP. 42 – ILUMINISMO

 

® Definição – Movimento de contestação ao antigo regime no seu sentido mais abrangente. Vai influenciar as transformações no mundo a partir do séc. XVII, legitimando-se no séc. XVIII. Crítica à teoria do Direito Divino.

® Áreas de influência:

Política – contestando o Absolutismo.

Economia – contestando o Mercantilismo.

Religião – apoiando os movimentos reformistas.

Ciência – uso da razão: o homem como centro de tudo.

® Países difusores: Inglaterra, Holanda, França.

® Classe social favorecida – burguesia.

Pré-iluministas:

* René Descartes – pai da Filosofia moderna.

* Francis Bacon – formulou a teoria do Empirismo.

* John Locke – pai do Liberalismo político.

* Isaac Newton – físico, aprimorou as idéias de Copérnico, Kepler e Galileu.

® Principais iluministas:

Montesquieu – do poder em 3. Na obra, “O espírito das leis” diz: “Quem detém o poder, tende a abusar dele”.

Voltaire – criticava a diferença social, defendia a igualdade social, liberdade de pensamento, de religião, favorável à Monarquia esclarecida.

Rousseau – principais obras: “Discurso sobre a origem e os fundamentos das desigualdades entre os homens” – critica a propriedade privada, o que seria uma das raízes da infelicidade do homem; “O contrato social” – o estado democrático de garante a igualdade de direitos para todos.

Diderot e D’Alambert – “A enciclopédia” – reunia todo o conhecimento existente na época.

® Despotismo Esclarecido – monarcas que buscavam adotar princípios Iluministas.

* Reforma da justiça – acesso aos pobres.

* Abolição da servidão – resquícios do Feudalismo.

* proibição de torturas,

* assistência social aos menos favorecidos.

* estímulo à educação.

* impulso às artes.

* incentivo à atividade econômica-manufaturas.

® Principais déspotas:

* D. José II – Áustria.

* Catarina II – Rússia.

* Frederico II – Prússia.

* Marquês de Pombal – Portugal – D. José I.

* Carlos III – Espanha.

® Teóricos econômicos:

Fisiocracia – natureza fonte criadora de riqueza.

Quesnay – Gournay.

Liberalismo econômico – trabalho fonte de riqueza.

Adam Smith – “Riqueza das nações”.

® O Iluminismo influencia: a Independência dos EUA, a Revolução Francesa, a Independência da América e seus movimentos emancipacionistas.

 

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

 

® Capitalismo – baseia-se na propriedade privada dos meios de produção, mercado consumidor, separação do proletariado, matéria-prima.

- Tipos de capitalismo:

* Pré-capitalismo – XII-XV – economia mercantil. Produção destina-se à troca e não a uso imediato. Figura do artesão (jornaleiros).

* Capitalismo comercial – séc. XVI-XVIII – generalização do trabalho assalariado, artesão, lucro na mão do comerciante e não na do produtor.

* Capitalismo industrial – o acúmulo de capital é investido na industrialização, ocorre a divisão social do trabalho (linha de produção), separação entre os que detêm os meios de produção e os que vendem a força de trabalho (proletariado).

* Capitalismo financeiro – séc. XIX aos dias atuais. Internacionalização do capital, multinacionais. Empresas tentaculares. Capitalismo monopolista.

« A Conquista do Mercado:

® Dumping – concorrência desleal.

® Truste – incorporação de uma empresa por outra.

® Cartel – associação de empresas pelo controle de preços para dominar mercado.

® Holding – empresas que atuam em vários segmentos da economia, muitas vezes o controle de empresas para ações bolsa.

® O Pioneirismo Inglês:

* Revolução Inglesa (séc. XVI-XVII):

- matéria-prima – subsolo, produção lã;

- cercamentos – mão-de-obra;

- isolamento do território – ilha;

- acúmulo de capitais – tráfico de escravo;

- atos de navegação – Olivier Cromwell;

- regime liberal – “controle da monarquia”;

- novas técnicas no campo – esterco, drenagem.

® Principais inventos:

1733 – lançadeira volante – tear manual;

1767 – Spinning Jenny – fiadeira mecânica;

1768 – máquina a vapor – bombear água das minas;

1769 – Water Frame – máquina movida a água – fios grossos;

1779 – Mule – Spinning Jenny + Water Frame – fios finos resistentes.

® O Expansionismo da Revolução (séc. XIX):

1830 – Bélgica – capitais e técnicas inglesa;

1850 – França – após a Revolução Francesa;

Séc. XIX – Guerra de Secessão (EUA), Era Meiji (Japão).

® Conseqüências:

* Interna urbanização, crescimento demográfico, proletarização dos artesãos;

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O Transporte Urbano em Aracaju - Origem  escrito em domingo 28 junho 2009 10:10

PALESTRA SOBRE OS BONDES EM ARACAJU

 

          O serviço de transporte urbano da cidade de Aracaju teve início no ano de 1908. Com a chegada do sistema ferroviário, o funcionário responsável ela implantação da linha ferroviária, Irineu Barreto Pinto sugeriu ao Presidente do Estado Guilherme Campos a implantação desse sistema de transporte. Apresentando uma proposta ao governo, proposta essa subscrita pelo seu filho Lafaiete Pinto, o contrato foi assinado em 11 de junho do mesmo ano.

          Como não dispunha de capital, Irineu procurou um sócio de dispusesse de capital para tal empreitada, que o contrato dizia que não seria aceito refugos de outras cidades, o material tinha que ser novo. O empreendimento garantia lucro de 7% podendo chegar a 200 contos de réis.

           Inicialmente a extensão seria de 8 km. Os primeiros trilhos foram instalados na av. Rio Branco em frente à Loja A. Fonseca, a comunidade não acreditava que tal modernidade chegasse à capital, pois estava para fixar os trilhos o presidente do Estado, onde o mesmo fez uso das ferramentas para cravar os pinos ou cravos de sustentação, o que foi alvo das maledicências da oposição (comparar com Mauá) .Caberia aos empreendedores a recuperação do calçamento das ruas onde fossem instalados os trilhos e nas ruas onde não tivesse melhoramento, caberia a empresa calçar toda a extensão que margeasse as linhas.

           O objetivo do governo era inaugurar o mais rápido possível e em tempo recorde 4 meses e 13 dias depois, na praça do governo (Benjamin Constant), às dez horas estava inaugurado o serviço de bondes puxado a burros, contando com duas linhas, sempre saindo da praça em referência. (citar aqui que essa emergência é que o sucessor não era simpático ao serviço de bondes e que durante a administração de Gal. Siqueira de Menezes o sistema passou por uma leve modernização). O bonde chegava a Aracaju com um atraso em relação a Salvador de 44 anos. Como praga o Rodrigues Doria morreu em Salvador atropelado por um bonde.

          A lei de nº 539 de 7 de maio de 1908 via discriminar o serviço que deveria ser oferecido a sociedade, inclusive com a quantidade de carros, tipos de carros e ramais que deveriam passar pela matriz e cemitérios e matadouro, inclusive a gratuidade.

Provavelmente por causa da primeira guerra mundial, a crise gerada por essa guerra trouxe problemas de liquidez par à empresa e em 1919 mostrava uma deficiência nos serviços.

           Durante a década de 20 no governo de Graccho Cardoso (1922 a 1926, o que restava da empresa, foi encampada com o objetivo de modernizar o sistema de transporte coletivo da cidade. Uma das primeiras iniciativas foi elaborar um projeto que foi entregue a três empresas, segundo Francisco Paulo dos anjos:

 

                             . Para isso, o governador do Estado, com o apoio de técnicos, ordenou a realização da coleta de dados, necessário para o estudo de viabilidade do projeto que, em seguida, foi entregue a três importantes companhias do ramo: companhia suíça de energia elétrica, Siemens, schukert-verk e Westinghouse
         
Embora o Sergipe jornal tenha noticiado a chegada dos elétrico a capital, o que deveria ocorrer em 18 meses, no ano de 1926 efetivamente os bondes elétricos chegam a Aracaju, segundo Allen  Morrinson foi também a última capital a dispor do serviço dos elétricos, com uma diferença de 29 anos em relação a Salvador:

 

                       -, bondes elétricos circulam pelas ruas da capital sergipana no início do século XX. Aracaju foi a última capital estadual no Brasil a instalar bondes com tração animal e também a última a contar com bondes elétricos, sendo também a única cidade sergipana a possuir bondes.

 

          Provavelmente a demora na implantação dos elétricos em Aracaju, deva-se ao tumultuado governo de Graccho Cardoso, que embora procurasse modernizar o Estado, por ter sido eleito pela ala conservadora trazia insatisfação a oposição. Insatisfação essa demonstrada pelas duas revoltas tenentista que passou (1924 Augusto Maynard) e (1926 Augusto Maynard) Revolta que está completando 85 anos esse ano.

Mesmo antes da inauguração, o presidente pelo decreto de nº935 de 15 de Mao de 1926, baixa o Regulamento da Inspetoria de Veículos e Segurança Pública, onde  discrimina o sistema de  transporte , classificando os mais variados tipos de veículos tais como: bonde,automóveis de tração animal desde que circule pelos trilhos, em fim procurava descriminar os serviços como um todo, inclusive exigindo vistoria para os carros que  pretendesse participar dos carnavais.

           Inaugurado oficialmente o sistema de bondes elétrico no dia 18 de agosto de 1926 com a presença do Presidente da República  Washington Luiz, que dirigindo-se as imediações do Bairro Industrial inaugurou primeiro a Usina de Empresa de Tração Elétrica  de Aracaju Iluminação Pública e Bondes, onde hoje funciona o Centro de Fisioterapia da Unit.

          O serviço de transporte coletivo a bonde elétrico funcionou até a década de 50 do século passado, provavelmente até o ano de 1959.

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Texto Sobre a Revolta Tenentista - 85 anos  escrito em domingo 28 junho 2009 09:10

O MOVIMENTO TENENTISTA EM SERGIPE – 85 ANOS O movimento tenentista em Sergipe, iniciado em 13 de julho de 1924, faz parte de uma série de revoltas que estouraram no Brasil a partir de 05 de julho em São Paulo e depois de estendendo por outras unidades da federação. O movimento de 24 foi em lembrança à revolta tenentista de 22, ocorrida na cidade do Rio de Janeiro. O grupo dos tenentes dentro da hierarquia militar seria o que dentro da pirâmide da nossa sociedade chamamos de classe média, muito embora, o movimento dos tenentes dessem vazão a uma angustia da sociedade, em momento algum eles representavam interesses diretos da sociedade. Assim como em 22, as revoltas dos tenentes de 24 reclamavam a modernização e a moralização da sociedade brasileira. O projeto inicial dos grandes centros irromperem em sublevações não vingou, talvez por falta de um sistema de comunicação eficiente e que não facilitasse o sufocamento do mesmo antes mesmo do seu início, sendo a Cidade de São Paulo a primeira e depois tivemos Rio Grande do sul, Santa Catarina, Pará, Amazonas e Sergipe entre outras. A revolta iniciada em São Paulo fez com que o Presidente da República Artur Bernardes telegrafasse as unidades da federação para saber da situação em que se encontravam cada unidade. Aqui em Sergipe, o telegrama recebido pelo Presidente do Estado Maurício Graccho Cardoso fez com que o mesmo convocasse o comandante do 28º BC Major Jacinto Dias Ribeiro para saber qual a realidade do batalhão comandado por ele. Tomando como base o comportamento da tropa em Salvador, ele argumentou que a tropa manter-se-ia a disciplina exigia pela caserna. Vale lembrar que o 28º BC participou em Salvador, por ordem do governo federal, da derrubada do comando do Estado da Bahia de J. J. Seabra. Na ocasião da movimentação das tropas, segundo o Professor Ibarê , o Tenente Augusto Maynard entrevistou-se com o presidente antes da deposição com o propósito de resistir as ordens do governo federal. As tropas do Exército sediado em Sergipe regressaram de estado vizinho no mês de abril. O clima de tranquilidade não era um céu de brigadeiro tendo em vista que ainda no ano de 1923 Os líderes da revolta de 24 , quando da ocasião da morte de Hermes da Fonseca, o Coronel Apulcro Mota que tinha sob a sua direção o Diário da Manhã noticiou a morte de Marechal além de fazer um comentário que desagradou os tenentes ,fazendo com que os mesmos empastelassem o jornal chegando a quebrar algumas máquinas. Provavelmente pelo motivo de quartel do Exercito ficar sediado no centro da cidade fazia com que o contato entre a oficialidade e o cidadão civil houvesse um fidbeck com os anseios da sociedade civil, justamente no que diz respeito à moralidade política (ver pag.102 de o Tenentismo em Sergipe). Na madrugada do dia 12 para o dia 13 de julho, num domingo irrompia sob a liderança do Capitão Eurípedes Esteves, Tenente Augusto Maynard Gomes, Tenente João Soarino de Melo e do Tenente Manoel Messias de Mendonça, o levante que ficou conhecido na história de Sergipe como revolta tenentista que durou do dia 13 de julho até o dia 03 de agosto de 1924. A população acordou aturdida com os tiros provocados pela tentativa de resistência ao levante, muitos pensavam tratar-se de estouros na usina de energia elétrica, o próprio comandante de 28º BC que morava na praça Gal. Valadão ao sai à rua para ver o que se passava foi rendido pelos revoltosos e preso no quartel. O comando do levante dividiu-se em três fileiras para tomar os pontos considerados estratégicos e vitais da cidade para o fortalecimento da revolta. O tenente Soarino ficou responsável por tomar o palácio do governo tendo a resistência do Tenente Stanley da Silveira tombando morto o Soldado José Martins de Castro e alguns feridos, dominado o palácio o tenente saio em socorro de Augusto Maynard que encontrava resistência na tomada do quartel da polícia militar, localizado onde hoje encontra-se o Atheneu Pedro II. Lá também tombou morto um soldado e alguns feridos. A terceira companhia dividiu-se para guarnecer o 28º BC, a região do largo esperanto guarnecido pelo tenente Messias Mendonça e a frente do quartel voltado para a praça Gal. Valadão pelo Capitão Eurípedes Esteves. Além desses primeiros pontos controlados pelos revoltosos, ficaram sob o controle a cadeia pública, o telégrafo, a estação ferroviária e a usina de energia elétrica. No raiar do sol do dia 13 a cidade já estava controlada, o presidente Graccho Cardoso que a priori ficou em prisão domiciliar, por não respeitar o acordo de não receber ninguém em sua casa, foi transferido para o 28º BC, local onde já se encontrava preso outras autoridades e soldados e comandante que não aderiram a revolta. Ao contrário do que ocorreu na revolta do Amazonas, a estrutura administrativa com algumas substituições foram mantidas. Segundo a professora Eloína Monteiro dos Santos, autora do livro A rebelião de 1924 em Manaus, que foi sua monografia de mestrado ela informa: A data em que o tenentismo chegou à capital amazonense, segurando a bandeira da moralização política e da derrubada das oligarquias locais. A população se acalmou, aplaudiu e apoiou o movimento, também conhecido como a comuna de Manaus. Em troca, teve resultados imediatos, embora fosse uma rebelião militar, precisou do apoio de civis para se manter no poder. Acabou derrubando a oligarquia de Cézar Rego Monteiro, deixou espaço para os Nerys no poder. Foi feito um novo pacto com antigos oligarcas, constata a professora. Mas o grande marco foram as mudanças imediatas feitas para acabar com a corrupção arraigada. Depois da rápida fase de medo da população, Ribeiro Júnior foi conquistando popularidade com atos imediatistas. Instituiu o Tributo da Redenção, nome pomposo para o confisco de bens e contas bancárias dos oligarcas no poder para transformar em pagamentos atrasados ao funcionalismo. Também aproveitou para extinguir a Força Policial do Estado do Amazonas, considerada a guarda particular dos Rego Monteiro, família do governador, Cézar, e organizou a Guarda Cívica do Amazonas. Outra medida foi cobrar à firma inglesa Manaos Market pelos pagamentos em atraso ao Estado. Passado o primeiro momento da tomada do poder, os tenentes lançaram a sociedade sergipana um manifesto redigido pelo prof. Manoel Xavier de Oliveira, mostrando a situação da vida política brasileira e garantindo o respeito aos direitos do povo sergipano não devendo temer nada. O manifesto foi assinado pela Junta Governativa que se formara devido à recusa do Gal. José Calasans em assumir o comando do estado. Nesses primeiros momentos de tomada do poder, o Médico do Exército Eronides de Carvalho em direção da cidade de Própria e nesse percurso tenta passar um telegrama ao governo federal e ao comandante militar da 6ª região do ocorrido em Sergipe. Outras pessoas, algumas temendo o enfrentamento, outras para tentar uma contra ofensiva já que alguns coronéis não apoiaram o levante em nosso estado. Tomando conhecimento do fato, o presidente Arthur Bernardes encarregou o Gal. Marçal Nonato de Farias a tarefa de recolocar no governo o presidente deposto pelos revoltosos, colocando a sua disposição tropas por terra e mar. Faziam parte das tropas em terra o 20º BC de Alagoas, 21º BC de Pernambuco, 22º BC da Paraíba, além de policiais militares da Bahia e Alagoas. Por mar fizeram parte da força tarefa os navios Baependy, Borborema, Cte. Miranda, Itapacy, Canavieiras e o contratorpedeiro Alagoas. Além de alguns pontos estratégicos que os tenentes buscaram defender no estado tais como: Itaporanga, Carmo (Carmópolis), São Cristovão para resistir as investidas do Gal. Maçal Nonato e seus homens, aqui em Aracaju o palco de defesa da capital estruturou-se na região do carvão e do tramanday onde foram montados trincheiras e deslocamentos de soldados, inclusive reservistas convocados pelos tenentes. Para evitar o ataque por mar a boca do rio Sergipe foi minado pelo prático Heitor Rodrigues Morais a fim de evitar o avanço dos navios que fizeram parte do cenário de guerra montado, o próprio Tenente Augusto Maynard pegou um lancha e dirigiu-se ao contratorpedeiro Alagoas quando foi avistado no estuário do rio, sem comprovação do contato do comandante do navio com o tenente, para informar-lhe de que a barra estava minada e portanto devia evitar o seu adentramento. Na região do tramanday, além de tropas que formam deslocadas para lá, os combatentes tiveram além do apoio do canhão Sergipe, mais dois foram deslocados para lá, o 42 de origem alemã utilizada na 1ª Guerra Mundial e outro batizado com o nome de União Faz a Força. Na região de Propriá, com o apoio do coronel Francisco Porfírio de Britto os seus jagunços e soldados de Alagoas deslocavam-se em direção da capital, na região do Carmo foram colocados em debandada pela estratégia do Sgtº José Vieira de Matos, quando fez uso de uma arma do Império, a atuação do sargento fez com que este fosse levado diante do Gal Marçal Nonato quando do fim da revolta. Tendo notícia da situação de defesa armada pelos revoltosos, o encarregado do restabelecimento da “ordem”, desembarcou em Estância no dia 26 proveniente do Castro onde chegara no dia 24,Estado já estava sob estado de sitio desde o dia 14 de julho sobre São Paulo e se estendendo a Sergipe e Bahia decretado pelo Congresso Nacional. As tropas ajuntadas na cidade de Salgado partiram para o enfrentamento fazendo com que as tropas da região de Itaporanga começassem a bater em retirada, depois que o enviado do Gal. Marçal Nonato, Cel. Alfredo Franco não retornou com a posição de Tte. Augusto Maynard sobre a rendição. O Avanço das tropas fez como que houvesse uma debandada dos revoltosos. Essa atitude dos revoltosos fez com que o Tte. Augusto Maynard e Tte. Esteves travaram uma discussão violenta depois dos ânimos acalmados retornaram para Aracaju. Isolado o Estado, havia uma verdadeira falta de informações seguras do que ocorria no país, chegado a ser noticiado aqui em Sergipe a queda de Bernardes e que São Paulo saiu vitorioso, as ruas se encheram,principalmente a rua João pessoa onde o povo passou entoar canções sobre o levante que se desenrolava aqui no nosso Estado. A situação tornara-se insustentável, tanto é que alguns oficiais presos no 28º BC conseguiram abrir as celas e colocaram os civis em liberdade. A incerteza era tamanha que desde o dia 25 de julho as repartições públicas mantivessem-se fechadas, bem como o comércio. Algumas famílias que fugiram para o interior resolveram retornar para a capital. A chegada dos legalistas a capital fez com que alguns exultassem de alegria e outros ficaram entristecidos enquanto bandas de músicas populares e marchas. A essa altura o Contratorpedeiro Alagoas já se encontrava ancorado na Ponte do Imperador. O volume de soldados era tamanho, que prédios públicos serviram de alojamento para os soldados, inclusive a Escola Normal com acampamento em frente à mesma. O capitão Eurípedes, os Tenentes Soarino e Messias Mendonça resolveram se entregar aos legalistas enquanto Augusto Maynard com ajuda do amigo Brasiliano de Jesus fugiu para fazendas do interior onde algum tempo depois chegou a São Paulo, sendo preso na casa do poeta Paulo Gonçalves, onde não mostrou resistência sendo levado para a Ilha de Trindade. No dia 04, com grande festa popular, foi reempossado Maurício Graccho Cardoso no comando do Estado. Varias pessoas entre civis e militares foram presos por ordem do comandante das tropas legalistas, inclusive o Gal. José Calazans acusado de conspirador da revolta. O passo seguinte foi a acusação dos revoltosos, para onde foi transferido Augusto Maynard para Aracaju. O responsável pelo processo Dr. Oscar Viana, acusou 606 pessoas de diretamente ou indiretamente de estarem envolvidos, concluindo assim e março de 1925 a fase de defesa. Houve a substituição do acusador pelo Dr. Plínio de Freitas Travassos que reduziu o número de acusados para 252 pessoas, nominado os 5 cabeças do movimento tenentista em Sergipe, entre os quais o Gal. José Calazans, Dr. Paulo Martins. Enquanto se desenrolava o processo de defesa feita pelo advogado Dr. João Antônio Ferreira da Silva, no dia 19 de janeiro de 1926, mais uma vez o Tenente Augusto Maynard tenta mais uma vez sublevar a tropa que rapidamente foi sufocada essa nova tentativa, saindo Augusto Maynard ferido com um tiro no pé. Digas-se de passagem que Augusto Maynard foi um revolucionário convicto tendo participado ao longo da nossa história da Revolta da Vacina, Revolta de Fausto Cardoso, Revolta tenentista de 1922, Revolta Tenentista de 1924 e a nova sublevação Tenentista de 1926. Vale ressaltar que o anseio de mudanças na política brasileira foi coroada com a Revolução de 1930 com a Chegada de Vargas ao poder, que deu início a um ciclo desvirtuoso da nossa história. O eixo de moralização da vida política do Brasil defendida pelos Tenentes na década de 20 do século passado continua tão atual pois a política brasileira passa pela necessidade de um choque de moralização, tão cantada e decantada por políticos que se enfronha no poder e não tem legitimidade de ser porta voz dos anseios da sociedade brasileira. O que precisamos é de um choque de moralidade, onde muitos poucos têm o a legitimação necessária para encabeçar esse movimento. Na realidade a sociedade deveria ter noção do poder que detém em suas mãos para fazer a mudança necessária.

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O TENENTISMO EM SERGIPE  escrito em terça 24 março 2009 21:02

O TENENTISMO EM SERGIPE

 

Ao longo da História, o Brasil viveu um período de Colônia, a partir de 1822. Instalou-se o Império, sendo que, entre o primeiro e o segundo Império, vivemos o Regime Regencial.

Politicamente, podemos dizer que as formas de governo até 1889 privilegiavam uma pequena parcela da sociedade brasileira, excluindo a maioria da população da vida econômica. A sociedade considerada elite decidia os destinos do Brasil e esse mesmo grupo passa a questionar determinadas atitudes do Império brasileiro.

O Movimento Republicano passa a ganhar força em todas as províncias do nosso território. Um monarquista convicto, diante da realidade da política, apoiado por antimonarquistas, em 15 de novembro de 1889, proclama a República (organização política de um Estado com vista a servir a coisa pública, ao interesse comum), instalando um nova forma de governo e, conseqüentemente, o banimento da família real.

No início, a República brasileira nada mais foi do que a administração por parte dos militares, um golpe dado com o apoio das elites, onde o povo não teve qualquer tipo de participação. Segundo José Murilo de Carvalho,

 

Em frase que se tornou famosa, Aristide Lobo, o propagandista da República, manifestou o seu desapontamento com a maneira pela qual foi proclamado o novo regime. Segundo ele, o povo, que pelo ideário republicano deveria ter sido protagonista dos acontecimentos, assistira a tudo bestializado, sem compreender o que se passava, julgando ver talvez uma parada militar” (Os bestializados. 3 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1998).

A República brasileira balizou-se por três políticas de sustentação: na esfera federal, pela política do café-com-leite; a nível de estado, a política dos governadores; a nível local, pelo poder dos coronéis. O Brasil vivia a força das oligarquias (governo de poucas pessoas pertencentes ao mesmo partido, classe ou família).

O primeiro presidente civil, Prudente de Morais, foi eleito em 1894, um representante das elites que muito influenciava a vida política brasileira desde o Império, os senhores de terras. Enquanto as camadas médias urbanas da sociedade brasileira menos favorecida trazia no seu meio a insatisfação com a sua participação na vida política brasileira, chegando até a mesmo a posicionar-se contra algumas determinações, como, por exemplo, alguns passaram a posicionar-se favoráveis ao fim do sistema escravocrata.

Com o advento da República, esses setores médios do Exército, além de não se sentirem representados, viam que a política brasileira continuava trabalhando em favor de poucos, enquanto eles e a maioria da população viviam à mingua.

Dentro desse contexto sociopolítico brasileiro, a oficialidade de baixa patente, os tenentes, passam a propor reformas políticas, tais como: o fortalecimento do poder central e o voto secreto. Esses anseios, embora os tenentes não tivessem ideologicamente ligados a qualquer classe social, vão encontrar nas camadas médias urbanas uma espécie de caixa de ressonância.

Em 05.07.1922, estoura no Rio de Janeiro, o Movimento dos Tenentes, conhecida como a Revolta do Forte de Cobacabana (18 do Forte) e, posteriormente, alastra-se por outras regiões do Brasil, como a Revolução Gaúcha (1923), a Revolução Paulista (1924) e a Coluna Prestes.

Em Sergipe, nesse período de revoltas tenentistas por todo o Brasil, o governador era Graccho Cardoso, representante legítimo das forças conservadoras, lideradas pelo general Oliveira Valadão. A eleição de Maurício Graccho Cardoso era a mais perfeita sintonia com a política do café-com-leite e as oligarquias estaduais. Em nosso estado, o presidente sufragado na mesma eleição foi Artur Bernardes.

Embora o governador tenha procurado fazer uma administração modernizadora – embelezamento de Aracaju, melhoria na produção do algodão, construção de escola e de pontes –, ele representava um modelo político muito contestado.

Os questionamentos não ocorriam na área dos tenentes, a intelectualidade demonstrava a insatisfação através dos seus escritos, os artistas pela sua arte. Até mesmo o cangaço foi uma outra forma de manifestação contra a política brasileira.

O elo catalisador dessa insatisfação, em Sergipe, foi Augusto Maynard Gomes, que liderado pelo brigadeiro Eduardo Gomes, tinha participado do levante do Forte de Copacabana, quando acabou sendo preso e enviado para a Ilha das Cobras, depois fugindo para o Rio de Janeiro.

O movimento em nosso estado teve início na noite de 12 de junho de 1924, quanto o tenente João Soriano de Melo, o capitão Eurípedes Esteves de Lima, o tenente Augusto Maynard, que liderou o movimento, e o segundo tenente Manoel Messias de Mendonça, prendem o major Jacinto Dias Ribeiro, comandante da Guarnição, e subleva o quartel do 28.° BC, aderindo a maioria da oficialidade. Nesta época, o quartel estava localizado na Praça 24 de outubro, no local onde hoje está o Hotel Palace.

A tropa foi dividida em três companhias: a primeira, liderada pelo capitão Eurípedes Esteves de Lima, passou a ocupar pontos estratégicos da cidade; a segunda, liderada por Soriano, seguiu pela Rua Santa Rosa e Santo Amaro até a Praça Olímpio Campos, dirigindo-se ao Palácio do Governo; a terceira, comandada por Augusto Maynard, seguiu pela Av. Rio Branco até o quartel da Polícia Militar.

A primeira vítima de morte foi um anspeçada e dois soldados foram feridos. A população assustada pensava que a usina elétrica tinha explodido. Depois de tomado o palácio, que ficou sob responsabilidade de um sargento, Soriano saiu em ajuda de Maynard. O tenente coronel da Polícia Militar, Caetano da Silveira Bastos, e o oficial do dia, fugiram. Os demais renderam-se, sendo levados presos para o 28.° BC. O próprio comandante do 28.° BC, major Jacinto Dias Ribeiro, vendo que não tinha como estancar o movimento, entregou-se ao capitão Eurípedes Lima.

Depois de dominar o palácio e o quartel da polícia, os revoltosos marcharam para ocupar o telegrafo e a estação ferroviária, a usina elétrica e o sistema de telefonia.

No dia 13 de junho de 1924, o comandante do 28.° BC era informado através de boletim interno da nova estrutura hierárquica do Exército. O comando ficou com o capitão Eurípedes; Maynard e seu batalhão com a fiscalização; e Soriano, com o comando das subunidades e na assessoria de ajudante e secretário.

No alvorecer do dia 13 de junho, o governador foi comunicado da nova ordem vigente no estado e foi conduzido preso para o 28.° BC. O general José Calazans, embora visse como necessária, não aceitou o comando do estado, cabendo a uma Junta Governativa Militar, formada pelo capitão Eurípedes Lima, 1.° tenente Augusto Maynard, 1.° tenente João Soriano e 2.° tenente Manoel Messias de Mendonça. Era preciso assegurar o poder. A junta, então, lança um manifesto à sociedade sergipana, explicando o motivo da tomada do poder e conciliando o apoio do povo, assim como às autoridades nas esferas municipais, estaduais e federais foram comunicadas e responderam, dando ciência da nova realidade.

A imprensa esteve parcialmente sem funcionar, os jornais Diário da Manhã” e “Sergipe Jornal”, por defenderem pontos de vista das oligarquias, não fizeram sua publicação. O “Correio de Aracaju”, cujo dono era Edson de Oliveira Ribeiro, passou também a dirigir o Diário Oficial, que circulou normalmente.

Além de Aracaju, as cidade de Carmópolis, Rosário do Catete, Japaratuba, São Cristóvão e Itaporanga apoiaram os revoltosos tenentistas. Em Aracaju, os líderes do movimento passaram a preparar a capital para um contra movimento externo. Por forças legalistas da República brasileira, na região do Carvão até o Tramandaí foram cavadas trincheiras, convocados reservistas, além de voluntários.

Na madrugada do dia 23 para 24 de junho, no horizonte é avistado o contra-torpedeiro Alagoas, que logo desapareceu. As forças legalistas preparavam o ataque para pôr fim ao movimento dos tenentes em Sergipe, as tropas situadas no norte e no sul do estado se puseram em marcha para Aracaju. As tropas do general Marçal de Farias era formada por homens de Pernambuco, Alagoas e Paraíba.

Os revoltosos de Sergipe reorganizaram as tropas, chegando a enviá-las para Itaporanga, sob o comando de Soriano, enquanto Maynard comandava as tropas de São Cristóvão.

No dia 2 de agosto, os jornais divulgavam a presença do general Marçal Nonato de Farias, conclamando o povo a manter-se leais às forças federais. Os revoltosos vencidos voltaram ao quartel de Aracaju e os legalistas avançavam. O contra-torpedeiro Alagoas ficou fundeado na Ponte do Imperador, além do navio Íris.

No dia 4 de agosto foi empossado o presidente deposto, Maurício Graccho Cardoso, baixando um decreto, onde tornava sem efeito qualquer ato dos tenentes. Os líderes do movimento foram caindo, Soriano foi preso no dia 6 de agosto, no dia 9 foi a vez de Eurípedes ser conduzido preso de Laranjeiras para Aracaju, Maynard fugiu, chegando até São Paulo, onde foi preso. No dia 7 de fevereiro de 1925, a bordo do navio Itapacy, chegava a Aracaju.

Foram abertos processos para julgar os revoltosos. Na prisão, no dia 01.11.1924, faleceu o Dr. Zaqueu de Freitas Brandão. Em março de 1925, era concluída a fase de defesa, embora não tenha saído o veredicto, sabe-se que o procurador do caso, Dr. Oscar Viana, acusava 606 pessoas. Seu substituto, Dr. Plínio de Freitas Travassos, novo procurador, apresentava 252 envolvidos, entre eles, 5 cabeças, além dos líderes, o general José Calazans, o Dr. Paulo Martins. Em 28 de agosto, reduziu-se ainda mais o número de acusados.

O governo de Graccho Cardoso, assim como o Brasil, estava sob a Lei do Estado de Sítio, aqui representado pelo general Marçal Nonato de Farias. No dia 19 de janeiro de 1926, liderados pelos tenentes de 1924, por volta das duas horas da manhã, 300 amotinados atacaram a casa do presidente e os órgãos públicos. Maynard foi ferido, Soriano abandonou o posto, Eurípedes foi o último a capitular, chegando ao fim mais uma

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O PERÍODO MILITAR EM SERGIPE  escrito em terça 24 março 2009 20:57

O PERÍODO MILITAR

EM SERGIPE

 

 

A década de 60 do século XX foi um período de grande instabilidade política, afetando, conseqüentemente, os aspectos econômicos e sociais. O mundo passava pela chamada Guerra Fria (EUA e URSS). Dentro desse contexto, é que o cheiro de golpe cada vez mais se acentua no Brasil.

A renúncia de Jânio Quadros à presidência da República alçou ao cargo o seu vice-presidente, João Goulart, que para assumir o cargo, além de ser desenvolvida uma campanha pela legalidade, capitaneada pelo governador Leonel Brizola, através de uma rede de rádio e apoio de políticos, aceitou a instituição do parlamentarismo no Brasil.

As elites não viam com bons olhos a posse do vice-presidente, eleito pelo PTB, herdeiro legítimo do populismo, que teve como expoente maior Getúlio Vargas, do qual Jango foi ministro do Trabalho.

Politicamente, o enfrentamento dava-se entre os defensores de uma política alinhada com os interesses dos Estados Unidos e os que defendiam a independência na condução da vida brasileira. Os trabalhadores pressionavam por reformas que garantissem a melhoria das condições de vida dos trabalhadores.

Para organizar o Estado brasileiro, o presidente João Goulart, através do Plano Trienal, buscava controlar a inflação e promover o desenvolvimento econômico, nitidamente o crescimento industrial.

O clima esquentou ainda mais entre elite e o governo quando o presidente criou a Lei do 13.° Salário, a qual foi rejeitada pelo Congresso, levando os trabalhadores a entrarem em greve. Havia greve de cunho político, de apoio ao presidente, mas as que reivindicavam aumentos salariais devido à corrosão dos mesmos pela inflação eram a maioria. O governo de João Goulart ficou marcado por uma onda de greve, nunca inferior a 100 por ano.

O retorno ao presidencialismo pleno e o anúncio das reformas de base azedaram ainda mais a relação do presidente com o Congresso e, conseqüentemente, com as elites. No dia 13 de março de 1964, no comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, do qual participou o governador Seixas Dória, que chegou a discursar em favor das reforma, o presidente decretou a nacionalização de refinarias particulares, desapropriação de terras às margens de rodovias e ferrovias e em áreas de irrigação dos açudes públicos, para fins de reforma agrária.

Os conspiradores tramavam o golpe para o dia 2 de abril de 1964, mas o comparecimento a uma solenidade no Automóvel Clube, no Rio de Janeiro, precipitou o movimento de tropas de Juiz de Fora (MG) em direção ao Rio de Janeiro, liderados pelo general Olímpio de Mourão Filho, recebendo a adesão de outros generais e civis, como Carlos Lacerda, governador do Rio de Janeiro, e Magalhães Pinto, de Minas Gerais.

Chegando a Sergipe, proveniente do Rio de Janeiro, no dia 1.° de abril de 1964, João de Seixas Doria, governador eleito em 1961, pela Aliança Social Democrática (ASD), formada pelos partidos de oposição (PSD, PR, PRT, PSB e PDC) contra a aliança liderada pela UDN, que congregava os interesses dos senhores de terras.

Apesar do movimento golpista já se considerar vitorioso, à noite, o governador dirigiu-se ao povo sergipano, mostrando a sua intenção de concretizar as reformas de base, tão clamadas pela classe trabalhadora. Nessa mesma noite do dia 1.° de abril, as forças golpistas mobilizam-se e, na madrugada, o Palácio do governo foi invadido e o governador preso e conduzido para o quartel do Exército da 6.ª Região Militar, sediado em Salvador. Esse foi o primeiro ato dos golpistas em Sergipe. O comandante da 19.ª CSM dirigiu-se à casa do vice-governador, Sebastião Celso de Carvalho (PSD), para que assumisse a administração do Estado.

O coronel Pina traz ordens do IV Exército para que a Assembléia Legislativa declare vago o cargo de governador, adquirindo espaço para a efetivação de Celso de Carvalho como governador dessa legislatura. Seixas Dória, depois de cassado e deposto, juntamente com Miguel Arraes, que não coadunava com as idéias golpistas, foram transferidos para Fernando de Noronha, passando 117 dias presos na ilha.

Na votação de cassação do mandato, três deputados, no dia anterior, pediam licença para tratar de assuntos particulares, sendo eles: João Valeriano (60 dias), João Teles e Francisco Modesto dos Passos (90 dias). No dia 4 de abril de 1965, data da sessão no legislativo, com a presença de três oficiais do Exército, três deputados não sentiram-se intimados e fizeram um discurso contrário à situação que o país passa a viver: Viana de Assis (PR), Cleto Maia (PRT) e Nivaldo Santos (PR). A cassação foi aprovada com 23 votos a favor e 8 contra.

A reação dos militares não tardou. Quatro deputados foram cassados por instrução militar, além dos três contrários à cassação, mas o deputado Balthazar Santos (PSD), acusado de ter atentado contra a Segurança Nacional. No seu discurso de despedida, Viana de Assis voltou a inflamar-se contra a usurpação do poder pelos militares, o que rendeu uma ordem de prisão, sendo encaminhado para o 28.° BC, onde passou 52 dias preso. A onda de restrição dos direitos políticos atingiu dois suplentes: Antônio Oliveira (PTB) e Nelson Góis Souza (PRT), que foi cassado.

A sujeição do PSD e da UDN até mesmo com apoio dos golpistas provocou um derrame de título de cidadão sergipano a representantes do Exército, líderes do movimento. Com a descaracterização da Constituição pelo Ato Institucional, os militares não queriam sujeitar-se ao rito processual, levando o Poder Judiciário muitas vezes a contrariar os interesses dos generais, o que levou alguns magistrados a requerem aposentadoria.

A onda de cassação não se restringiu só a capital, alguns prefeitos acusados de apoiarem as reformas de base ou considerados corruptos foram cassados; alguns tenentes procuraram subornar prefeitos e magistrados pelos interiores; é corrupto cassando corrupto.

A governabilidade pelos Atos Institucionais prosseguiram, o AI-2 acabava com o pluripartidarismo e instituía o bipartidarismo. Aqueles que apoiavam os golpistas uniram-se em torno da Arena (Aliança Renovadora Nacional), congregando um grande número de políticos. E a oposição, que teve dificuldade de criar a sua agremiação, pois em muitos estados não atendia às determinações do AI-2 para a criação do partido, criou o MDB (Movimento Democrático Brasileiro).

Prisões indiscriminadas, sem acusação formada ocorreram. Em Sergipe, funcionários públicos, sindicalistas, trabalhadores rurais, jornalistas, intelectuais, professores, entre outros, as prisões podem ter chegado a 117 detidos, seus nomes eram execrados via sistema radiofônico. Embora alguns neguem ou outros acusem os militares de maus tratos, há informações de torturas praticadas no 28.º BC.

Os órgãos de imprensa passaram a ser vigiados através do SNI (Serviço Nacional de Informação) e SEI (Serviço Estadual de Informação). Era a censura que atingia as rádios (Liberdade, Jornal, Difusora e Cultura), o único jornal diário – Gazeta de Sergipe – que circulava como forma de divulgar os atos dos golpistas, as demais notícias sofriam censura prévia. No início, os textos eram levados ao 28.º BC, mas depois passou a ser feita na própria redação do jornal, uma vez que o responsável pelo transporte dos textos, devido ao seu teor de embriaguez, não conseguia cumprir os prazos para a impressão do jornal.

O projeto educacional com base na obra de Paulo Freire foi desarticulado, com a prisão de vinte professores. Essa campanha de alfabetização deixou os “poderosos” com os pés atados, uma vez que o conhecimento era visto como um perigo para as classes “dominantes”, na área cultural, os projetos foram desarticulados. O movimento de educação de base, ligado à Igreja Católica, sofreu um processo de redirecionamento sob os cuidados do então bispo auxiliar D. Luciano Cabral Duarte.

O cerceamento do livre pensar e do livre agir não restringiu-se aos setores políticos, mas imprensa e social. Alunos secundaristas e universitários também foram vítimas da violência do regime ditatorial. No Colégio Estadual de Sergipe, atual Atheneu Sergipense, a diretora Maria Augusta Lobão, que tinha bom trânsito com os militares, uma vez que o seu esposo, João Moreira, era informante dos militares aqui em Sergipe, levou o Exército a determinar a expulsão dos seguintes alunos: Wellington Dantas Mangueira Marques, Alceu Monteiro, Jackson de Sá Figueiredo, Mário Jorge de Menezes Vieira, Abelardo Silva Souza e José Anderson do Nascimento. Dois desses alunos conseguiram matrícula no Arquidiocesano e os demais foram enviados para outros estados pelos seus familiares.

Na Universidade Federal de Sergipe, o reitor, João Cardoso Nascimento, recebeu, em dois momentos, listas de alunos, num total de 37, de cursos variados, que deveriam perder o direito de estudar. A decisão, tomada pelo magnífico, não agradou os militares, ao contrário do que se esperava, o reitor só os afastou dos organismos políticos da Universidade, tais como Diretórios Acadêmicos e DCE.

Os organismos sociais passaram a promover manifestações de apoio ao movimento golpista. A Igreja Católica, por sua ala mais conservadora, promoveu a “marcha em nome de |Deus, família e liberdade”, numa campanha contra o comunismo. Essa marcha ocorreu em alguns interiores, como por exemplo, Itabaiana, Barra dos Coqueiros, entre outros, com toda uma ideologia voltada para a aprovação do regime militar.

O plano de ação psicológica da revolução desenvolvida pelo 28.° BC teve a duração de 30 dias, contou com a preleção de oradores de outros estados, além de uma exposição de material subtraído das casas e escritórios invadidos pelos “revolucionários”. Chegou-se a divulgar, na ocasião na inauguração do evento, que Sergipe era um grande centro de doutrinação do comunismo.

A sucessão estadual no ano de 1966 transcorreu de forma como preceituava o Ato Institucional n.° 2, mas mesmo assim a lista tríplice votada pela Assembléia (Leandro Maynard Maciel, Augusto do Prado Franco e Arnaldo Rollemberg Garcez) foi presidida por um candidato que nela não estava. O governo golpista do marechal Castelo Branco indicou o baiano que era deputado federal por Sergipe, Lourival Baptista, e para vice Manoel Cabral Machado. Os preteridos, como prêmio de consolação, passaram a ter o apoio para concorrer a senador e a deputado federal, respectivamente os primeiros nomes da lista tríplice.

As eleições de 1966 para senador, deputado federal e deputado estadual consagraram, de forma massacrante, a supremacia da ARENA, pois este partido era a representação clara do autoritarismo no Brasil, disputando internamente para ver quem conseguia se eleger. O MDB, nesse processo eleitoral, muitas vezes não conseguia ter representantes a cargos majoritários municipais.

A atuação dos militares não arrefeceu o sentimento de luta entre os que clamavam por democracia, tanto a nível de Brasil como de Sergipe. Os atos institucionais garantiam, dessa maneira, a legitimação da repressão aos grupos contrários à usurpação do poder pelos militares. Em Sergipe, além dos presos políticos, cassação de mandatos, repressão a estudantes, funcionários públicos, profissionais liberais, muitos foram inquiridos pelos militares e processados, alguns chegando a ser condenados.

No plano econômico, o Brasil passou a viver a famigerado milagre econômico, através da SUDENE, DNOCS e de outras instituições. O governo militar procurava investir na região nordeste. Em Sergipe, amparados por essa política federal, o governo procurava incrementar o nosso desenvolvimento através de companhias de desenvolvimento e até mesmo com reestruturação das secretarias de governo, tais como a criação da EMATER-SE (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Sergipe), Prodase (Companhia de Processamento de Dados de Sergipe), ADEMA (Administração Estadual do Meio Ambiente), CODISE (Companhia de Desenvolvimento Industrial e Recursos Minerais de Sergipe), abertura de estradas, investimentos no setor de petróleo e melhoria na capital.

A oposição ao regime ditatorial era velada à medida que se ampliava o processo de informação através das transmissões via satélite. Nos quadros de oposição iam se consolidando, através de estudantes, trabalhadores. A resposta veio nas eleições de 1974, quando o MDB conseguiu eleger, para o Senado, Gilvan Rocha, derrotando o representante da ARENA, Passos Porto. A nível federal, o MDB avançava, levado a preencher, no Senado, 16 das 22 cadeiras disponíveis e, na Câmara Federal, crescia de 28% para 44% a sua composição.

Esse resultado levou os militares a tomar medidas para garantir a maioria. Em 1877 foi decretado o recesso parlamentar para instituir essas novas medidas, como por exemplo, o mandato presidencial passava para 6 anos. E o MDB passa a ter mais dificuldades para ampliar a sua atuação. Em Sergipe, o controle por parte da repressão mantinha-se através de uma maioria na Assembléia, bem como pelas práticas eleitorais com o aliciamento de eleitores através da máquina pública.

O processo de abertura política se fazia sentir através da reação organizada da sociedade. O governo de Ernesto Geisel promoveu uma distensão, dando condições ao MDB, nas eleições de 1978, vencer nos estados mais importantes da federação (SP, RJ e MG), tanto no aspecto econômico como no político. Mesmo assim, os militares, através dos órgãos de repressão, não sossegavam, num confronto entre o presidente Ernesto Geisel e o ministro do Exército, general Silvio Frota, desencadeando-se uma série de operações repressivas no Brasil.

Em Sergipe, sob o comando da 6.ª Região Militar (BA-SE) desencadeou-se a operação cajueiro no ano de 1976. Durante o período momesco, várias pessoas foram presas, passando por humilhação, como tapas na face, pontapé, tapa na orelha (famoso “telefone”), ou seja, torturas, havendo divergências da quantidade de pessoas presas, sendo identificadas, segundo o professor Ibarê Dantas, 25 pessoas, das quais 18 sofreram processo. Todo esse movimento por parte do comandante e chefe do Exército era para demonstrar ao mandatário da nação que a esquerda estava em plena atuação ou se reorganizando. Entre os presos encontramos desde pedreiros, advogados, funcionários públicos, ferroviários, estudantes, entre outros.

A abertura política lenta e gradual vai ocorrer durante o governo de João Batista Figueiredo, a lei de anistia é assinada, os exilados retornam ao Brasil, os partidos políticos voltam a se reorganizar, no ABC Paulista os trabalhadores fazem uso das greves para fazer valer seus direitos. Mesmo durante esse processo de liberdade, os militares contrários a abertura política, em uma comemoração para o dia 1.º de maio, no Rio Centro, na noite de 30/04/1981, estouravam uma bomba, um atentado visando manchar a esquerda. A infelicidade dos autores e que a bomba explodiu no colo de um oficial do Exército, mostrando, dessa maneira, os reais autores do crime. Várias pessoas dentro desse processo passaram a ser intimidadas com cartas bombas.

O último governador eleito pelo colégio eleitoral foi Augusto do Prado Franco, que tomou posse em 15/03/1979, tendo como vice o general Djenal Tavares Queiroz. O governador assumiu o estado com uma proposta moralizadora, dentre as quais o recadastramento de funcionários públicos, tendo sido achado um número de 3.000 funcionários recebendo por mais de um contracheque, devido o comprometimento dessa situação com forças que apoiavam o golpe de 1964, logo, foi esquecido e não foi completado o recadastramento.

Em 14/03/1982 assumia o governo Djenal Tavares Queiroz, uma vez que o titular iria concorrer para deputado federal. O candidato Antônio Carlos Valadares, que estava sendo preparado para a sucessão ao governo do estado, não emplacou e o PDS fez opção pelo engenheiro João Alves Filho, tendo Valadares como vice, sendo o primeiro governador eleito depois das eleições livres para governo, é claro que toda a máquina montada durante o período de repressão se fez presente nas eleições de 1982. Das sete vagas à Câmara Federal, o PDS elegeu cinco e o PMDB duas, dentre os quais Augusto Franco. Para o Senado, foi eleito seu filho, Albano Franco, e na Assembléia Legislativa, seu filho Walter Franco, onde o PDS elegeu dezenove deputados e o PMDB cinco.

A campanha pelas Diretas-Já se espalhou por todo o Brasil, inclusive em um grande comício realizado em Aracaju, no ano de 1984, na Praça Fausto Cardoso. A Emenda Constitucional formulada pelo deputado mato-grossense Dante de Oliveira não foi aprovada. Em 15 de janeiro de 1985, o colégio eleitoral reunia-se pela última vez para eleger o presidente da República Tancredo Neves, pela oposição, derrotando por 480 votos contra 180 votos, o candidato da direita Paulo Maluf.

Dessa forma, na década de 80 do século XX, acelera-se o processo de redemocratização política do Brasil, embrião plantado no final da década de 70.

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

 

COSTA, Luís César Amad; MELO, Leonel Itaussu A. História do Brasil. 11 ed. São Paulo: Scipione, 1999.

DANTAS, Ibarê. História de Sergipe República (1889-2000). Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2004.

_______. A tutela militar em Sergipe (1964-1984). Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997.

JORNAL DA CIDADE. Edição de 22 a 25/02/2004.

_______. Edição de 29/02 a 01/03/2004.

_______. Edição de 28 e 29/03/2004.

PILAGALLO, Oscar. O Brasil em sobressalto. São Paulo: Publifolha, 2002.

SANTOS, Lenalda Andrade; OLIVA, Terezinha Alves de.  Para conhecer a História de Sergipe. Aracaju: Opção Gráfica, 1998.

SILVA, Francisco de Assis. História do Brasil. São Paulo: Moderna, 1992.

VICENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaulo. História do Brasil. São Paulo: Scipione, 1998.

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